Agroindústria acumula alta no semestre

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O PIB do segmento agroindustrial recuou 0,86% em junho, mas, no acumulado do semestre, registrou alta de 1,26%. No mês, tanto a indústria agrícola quanto a pecuária tiveram baixas, de 0,62% e 1,83% respectivamente. Ao contrário, para o acumulado do semestre, a agroindústria manteve avanço nos dois ramos, de 1,09% no agrícola e de 1,99% no pecuário.

Na indústria de base agrícola, espera-se alta de 1,06% no faturamento anual, resultado de elevações em preços (0,94%) e em quantidade produzida (0,12%) considerando-se o resultado médio ponderado do segmento. Para a indústria de base pecuária, espera-se aumento de 8,86% no faturamento, resultado de maiores preços (7,26%) e produção (1,49%), em média.

No acompanhamento feito pelo Cepea para a evolução do PIB, as indústrias de base agrícola que apresentaram projeção de crescimento do faturamento foram: celulose e papel, vestuários, moagem e fabricação de produtos amiláceos, conservas de frutas/legumes/outros vegetais, produtos do fumo, açúcar, bebidas e outros produtos alimentares. As demais indústrias registram perspectivas de redução: produtos e móveis de madeira, biocombustíveis, têxtil, café e óleos vegetais. “O resultado é pequeno, mas demonstra otimismo para terminar esse ano crescimento com foco para um 2020 melhor”, afirma o CEO do Grupo VMX, Carlos Cesar Floriano. 

Das indústrias de base agrícola acompanhadas pelo Cepea, tiveram destaque pelo alto crescimento esperado no faturamento a de açúcar (17,9%) e a de celulose e papel (8,8%). Essas duas foram as que registraram maiores altas nos preços no acumulado dos seis primeiros meses de 2019 em comparação ao mesmo período do ano anterior: de 9,5% para celulose e papel e de 7,68% para o açúcar. Para a quantidade produzida, houve recuo de 0,7% para a indústria de celulose e papel e elevação de 9,45% para a produção de açúcar.

O Boletim mensal da Equipe Florestal/Cepea indica o bom desempenho das exportações de produtos florestais, incluindo papel e celulose, no acumulado dos dois primeiros trimestres do ano, embora tenha iniciado movimento de retração a partir de junho. Ressalta-se que, embora os preços estejam em média maiores em 2019, frente ao primeiro semestre de 2018, esses recuaram mensalmente ao longo do ano. Como apontado em relatórios anteriores, os preços têm sido pressionados pela fraca demanda interna e pelos altos estoques da indústria. “O juro cada vez mais baixo pode contribuir para uma melhora no otimismo do mercado. Esses números também estimulam o empresário a investir mais”, afirma Carlos Cesar Floriano. 

Já para o caso da indústria de açúcar, o bom resultado em 2019 também é reflexo de recuperações do preço e da produção após quedas acentuadas no ano anterior, atribuídas à fraca demanda, tanto doméstica quanto externa. A redução das exportações brasileiras naquele ano esteve atrelada ao aumento da produção de açúcar pelos principais países consumidores. Apesar da alta dos preços na comparação entre períodos, especificamente em junho, houve redução. Segundo a equipe Açúcar/Cepea, essa redução no mês refletiu o andamento da safra 2019/2020, com a colheita e o processamento da cana sendo favorecidos pelo clima seco que predominou em São Paulo.

Ainda no rol de setores que apresentaram expectativa de crescimento de faturamento, embora mais moderadamente, tem-se a indústria de bebidas (4,5%), de outros produtos alimentares (3,3%) e de produtos amiláceos (1,8%). Para o caso das bebidas, a projeção de crescimento de produção (5,7%) tem contrabalanceado as sucessivas pequenas quedas nos preços acumuladas em comparação ao ano anterior, que, na última atualização, caiu 1,1%. Já para a produção de outros produtos alimentares, a variação positiva se deu tanto em preço (2,5%) quanto na produção esperada (0,8%), ainda que de forma sutil. Por fim, a indústria de moagem e fabricação de amiláceos teve sua produção esperada reduzida em 2,1%, sustentando o comportamento oscilatório que tem apresentado desde o início deste ano, tendo seu preço variado 4,0% em relação aos primeiros seis meses de 2018, quando registraram quedas acentuadas o ano inteiro.

Algumas indústrias tiveram sua projeção de variação de faturamento quase estável – com leve aumento ou diminuição –, devido ao contrabalanceamento entre variações nos preços e nas quantidades produzidas. São os casos de a) indústria de vestuário, com projeção de variação de faturamento de 0,9%, com alta de preço (1,1%) e queda de produção (-0,2%); b) indústria de conservas, com projeção de variação de faturamento de 0,6%, com recuo no preço (-2,3%) e aumento na quantidade (3,0%); c) indústria de fumo, com variação esperada de faturamento de 0,3%, com queda nos preços (-2,8%), mas avanço na produção (3,2%); d) indústria têxtil, com projeção de variação de faturamento negativa em 0,3%, com variação positiva de 1,4% no seu preço e retração de 1,7% na quantidade produzida; e, por fim, e) móveis de madeira, que registrou projeção de variação de faturamento de -0,6%, com variação positiva de 0,6% do preço e redução de 1,2% da quantidade produzida.

Biocombustíveis 

Entre os setores deste segmento que apresentaram queda de faturamento, chamam atenção os casos dos biocombustíveis (etanol) e da indústria de café. Para os biocombustíveis, as baixas são de 6,72% em preços e de 4,57% na produção. Vale mencionar que a retração da quantidade produzida está sendo amenizada pelo crescimento importante na produção de etanol de milho, de 70,3% entre as safras 2018/19 e 2019/20. Quanto à produção de etanol de cana-de-açúcar, a redução observada reflete uma volta à normalidade do volume produzido, que atingiu recorde na safra passada, segundo a Conab. No caso dos preços, especificamente em junho, acentuou-se o movimento de baixa já observado entre abril e maio. Segundo a equipe Etanol/Cepea, essa redução refletiu o baixo ritmo de compras por parte de distribuidoras.

A segunda diminuição considerável foi na indústria de café, em que se registra recuo do faturamento esperado de 11,2%, em resposta à queda do preço, de 12,4%, quando comparado ao mesmo período de análise do ano anterior. O preço na indústria do café tem seguido trajetória descendente desde o ano anterior, intensificando-se no início deste ano. Diante disso, a expectativa de aumento da produção de 1,3% não foi suficiente para amenizar o efeito da queda registrada no preço sobre o faturamento.
Além dessas, as indústrias de óleos vegetais e de produtos de madeira também tiveram projeção de redução do faturamento anual. No primeiro caso, de forma mais acentuada, a retração de 8,0% provém da combinação da variação negativa dos preços entre períodos de 5,90%, com queda na produção esperada de 2,20%. Já no segundo, o aumento de 2,9% do preço, nos seis primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período de 2018, atenuou o efeito da diminuição da produção esperada de 5,3%, levando à previsão de redução de 2,5% no seu faturamento.

No que tange às indústrias pecuárias, conforme descrito na Tabela 5, a projeção de variação do faturamento registrou valores positivos tanto para o setor de laticínios quanto para abate e preparação de carnes e pescados. Já para a indústria de couro e calçados de couro, a expectativa é de redução. O preço na indústria de laticínios segue tendência crescente, mês a mês, desde o início do ano, com recuo apenas em junho (frente a maio). Na comparação entre janeiro a junho deste ano em relação a 2018, o preço avançou 1,72% e a expectativa de produção é de crescimento de 3,30%, promovendo alta de 5,08% do faturamento esperado. A redução de preços observada em junho, especificamente, refletiu a fraca demanda interna pelos derivados lácteos. Segundo a Equipe Leite/Cepea, o principal desafio deparado pelo setor tem sido o repasse do aumento do preço da matéria-prima ao consumidor final.

Já a indústria do abate obteve o melhor resultado, tratando-se de expectativa de faturamento. A projeção de crescimento de 11,57% se deveu principalmente à elevação de 10,25% nos preços, na comparação entre os mesmos períodos de 2018 e 2019. Novamente, tal cenário é justificado pela demanda externa aquecida, em especial da China, que tem colaborado para o aumento dos preços.

Por fim, na contramão, a indústria de couro e calçados mantém a tendência de redução de preços (-3,67%, na comparação entre janeiro a junho de 2019 em relação a 2018) e produção esperada (-2,84%,) que se reafirma desde 2015, ocasionando queda esperada de 6,24% no faturamento do setor.

O PIB dos agrosserviços recuou em junho (-1,03%), refletindo as reduções observadas nos segmentos primário e agroindustrial no mês. Mas, no acumulado do semestre, o segmento manteve crescimento, de 0,65%. Em junho, o segmento recuou tanto no ramo agrícola quanto no pecuário. E no acumulado do ano (janeiro a junho), o segmento foi impulsionado pelos serviços prestados às atividades pecuárias, com redução no segmento de serviços do ramo agrícola. Como mencionado em relatórios anteriores, o bom resultado do PIB dos agrosserviços pecuários reflete o elevado ritmo das exportações de proteína brasileira, que tem levado a aumentos de preços ao longo das cadeias e, também, tem influenciado positivamente a demanda por serviços de armazenagem, transporte, comercialização, entre outros serviços necessários para que os produtos sejam exportados.