Agricultura baseada em eventos transforma alertas em decisões no campo

Agricultura baseada em eventos transforma alertas em decisões no campo

Na agricultura baseada em eventos, em vez de depender apenas de rotinas previamente definidas, propriedades rurais podem usar alertas gerados por mudanças observadas no ambiente produtivo para orientar ações. Na prática, sensores e sistemas digitais ajudam a identificar ocorrências e encaminhar respostas com mais rapidez. Segundo o CEO do Grupo VMX, Carlos César Floriano, “O valor está em transformar um alerta em uma decisão que faça sentido para a operação, sem substituir o conhecimento de quem está no campo”, afirma.

A chamada agricultura baseada em eventos parte de uma lógica simples: determinada ocorrência gera um alerta e esse alerta pode desencadear uma ação. 

Como funciona a agricultura baseada em eventos

Em uma propriedade pecuária, por exemplo, uma alteração identificada por sensores ou equipamentos conectados pode indicar a necessidade de verificar uma área, acompanhar as condições de um animal ou avaliar uma mudança no ambiente de produção.

O diferencial está menos na geração do alerta e mais na capacidade de relacioná-lo a uma decisão. Sistemas conectados podem reunir informações provenientes de diferentes pontos da operação e apresentar ocorrências que demandem análise. 

Com isso, o produtor deixa de depender exclusivamente de verificações realizadas em intervalos fixos e passa a contar também com respostas acionadas por acontecimentos específicos.

Ciclo da agricultura baseada em eventos: do alerta à decisão Cinco etapas em sequência: ocorrência registrada por sensor ou equipamento, alerta enviado a quem precisa agir, interpretação do produtor, decisão sobre a providência e ação no campo. As duas primeiras são automatizadas; as três últimas dependem das pessoas. Uma seta de retorno indica que o resultado de cada ação calibra os parâmetros e reduz alertas irrelevantes. Do evento à decisão: o ciclo em cinco etapas 1 Ocorrência Sensor registra uma mudança no ambiente 2 Alerta Aviso chega a quem precisa agir 3 Interpretação Produtor avalia o contexto da propriedade 4 Decisão Define a providência adequada 5 Ação Verificação ou manejo no local O resultado de cada ação calibra os parâmetros e reduz alertas irrelevantes Etapa automatizada Etapa com decisão humana
Na agricultura baseada em eventos, a tecnologia detecta e avisa; interpretar, decidir e agir continua com quem conhece a propriedade.

O alerta não substitui a interpretação do produtor

A tecnologia, porém, não elimina a necessidade de interpretação. Um alerta precisa ser compreendido dentro da realidade da propriedade antes que qualquer providência seja tomada. “Automatizar uma etapa não significa retirar o produtor do processo. É dar condições para que ele concentre atenção naquilo que realmente exige análise e decisão”, destaca Carlos César Floriano.

Esse princípio ganha relevância em propriedades extensas, nas quais distância e volume de tarefas podem dificultar o acompanhamento contínuo de todas as áreas. 

Quando uma ocorrência relevante é identificada, a comunicação direcionada pode reduzir o tempo entre a percepção do problema e a verificação no local.

Rotina em intervalos fixos x agricultura baseada em eventos: comparação qualitativa
AspectoRotina em intervalos fixosAgricultura baseada em eventos
O que dispara a açãoO calendário de inspeçõesUma ocorrência identificada durante a operação
Tempo de respostaDepende da próxima visita à áreaTende a encurtar o intervalo entre percepção e verificação
Uso da equipePercorre todas as áreas, com ou sem problemaConcentra atenção onde há algo a analisar
Papel dos dadosRegistros acumulados para análise posteriorOcorrências ligadas a providências definidas
Papel do produtorObserva e decide durante a rotinaInterpreta o alerta e decide a partir do contexto

Carlos César Floriano: tecnologia precisa conversar com a rotina do campo

Na pecuária, a utilização de sistemas baseados em eventos pode alcançar diferentes etapas da gestão. O acompanhamento de condições ambientais, a observação de áreas de pastagem e a identificação de ocorrências relacionadas à movimentação ou ao manejo são exemplos de situações nas quais um alerta pode servir como ponto de partida para uma ação.

Exemplos ilustrativos de eventos, alertas e ações na pecuária de corte
EventoAlerta possívelAção a avaliar
Condição ambientalMudança brusca de temperatura ou chuva intensaConferir sombra, água e acesso dos animais
Área de pastagemSinal de alteração na cobertura do pastoVistoriar a área e rever o manejo de lotação
Movimentação do rebanhoDeslocamento fora do padrão habitualVerificar cercas, divisas e o estado do lote
Abastecimento de águaQueda de nível em bebedouro ou reservatórioInspecionar bomba, boia e tubulação no local

Esse funcionamento também muda a maneira de lidar com os dados. Em vez de simplesmente acumular registros, a propriedade passa a estabelecer relações entre determinadas ocorrências e as providências que podem ser tomadas a partir delas. 

Para Carlos César Floriano, “A utilidade está em transformar informação operacional em algo que possa apoiar uma tarefa concreta”, diz.

Menos notificações, mais relevância

Há, ainda, uma questão de confiabilidade. Alertas excessivos ou pouco relevantes podem dificultar a rotina e fazer com que ocorrências realmente importantes percam espaço entre notificações. Por isso, a definição de parâmetros adequados e a integração entre sistemas são partes essenciais da implantação.

“Uma solução eficiente é aquela que entrega o alerta certo, no momento adequado e com uma finalidade clara para a operação”, observa Carlos César Floriano.

Uma nova lógica de acompanhamento das propriedades

A agricultura baseada em eventos representa, portanto, uma mudança na lógica de acompanhamento das propriedades. 

Em vez de esperar apenas pela próxima inspeção ou pela análise posterior de um registro, determinadas decisões podem começar a partir de uma ocorrência identificada durante a própria operação. 

Na pecuária, essa dinâmica pode contribuir para uma gestão mais atenta às condições que mudam ao longo do dia e para uma utilização mais direcionada dos recursos tecnológicos disponíveis.

A lógica conversa com outras frentes da fazenda conectada. Alertas climáticos automatizados mostram como a prevenção ganha velocidade quando o aviso chega na hora certa, enquanto o edge computing no agro permite processar parte dos dados na própria propriedade. Nada disso funciona sem uma base de conectividade rural inteligente, que leva a informação de onde ela nasce até quem vai decidir.

Para a VMX, que atua na pecuária de corte no Vale do Arinos, em Mato Grosso, essa é uma forma de usar a tecnologia a favor da rotina, e não o contrário. Conheça o que fazemos e acompanhe, em instituições de pesquisa como a Embrapa, a evolução das tecnologias digitais aplicadas ao campo.

Perguntas frequentes sobre agricultura baseada em eventos

O que é agricultura baseada em eventos?

É uma forma de acompanhar a propriedade em que uma ocorrência detectada por sensores, equipamentos ou sistemas conectados gera um alerta, e esse alerta serve de ponto de partida para uma decisão e uma ação no campo.

Ela substitui as inspeções de rotina?

Não. Os alertas complementam as verificações periódicas. A rotina continua importante, mas passa a dividir espaço com respostas acionadas por acontecimentos específicos, o que ajuda a direcionar a atenção da equipe.

Como evitar excesso de alertas na propriedade?

Definindo parâmetros adequados à realidade de cada área, integrando os sistemas para evitar avisos duplicados e revisando periodicamente quais alertas de fato levaram a alguma providência. O objetivo é receber o alerta certo, no momento adequado.