Drones ampliam a visão sobre áreas extensas e mudam o monitoramento no campo

Drones ampliam a visão sobre áreas extensas e mudam o monitoramento no campo

Em propriedades rurais extensas, acompanhar pastagens, rebanhos e áreas de cultivo exige deslocamentos constantes e capacidade de identificar alterações que nem sempre são percebidas a partir do solo. Os drones entram nessa operação como ferramentas de observação, produzindo imagens que ajudam a localizar ocorrências e direcionar verificações. É assim que o monitoramento com drones ganha espaço na gestão de grandes áreas. “Quando uma propriedade é extensa, ter uma visão aérea ajuda a transformar o monitoramento em uma atividade mais direcionada”, afirma o CEO do Grupo VMX, Carlos César Floriano.

A utilização de drones no campo deixou de estar associada apenas à produção de imagens. Equipados com diferentes tipos de câmeras e sensores, esses equipamentos podem ser empregados para levantar informações sobre áreas agrícolas, pastagens e outros elementos da propriedade, em um movimento que aproxima drones e inteligência de dados na gestão do agronegócio.

A partir das imagens obtidas, o produtor ou a equipe responsável pode identificar pontos que precisam de uma avaliação presencial.

Monitoramento com drones nas pastagens e no rebanho

Na pecuária, essa possibilidade ganha uma aplicação prática no acompanhamento das pastagens. A extensão das áreas pode dificultar inspeções frequentes e uniformes, principalmente quando existem diferentes condições de vegetação dentro da mesma propriedade. 

“Imagens aéreas podem ajudar a localizar trechos que apresentam características distintas e indicar onde a equipe deve concentrar a observação”, avalia Carlos César Floriano.

O mesmo princípio pode ser aplicado ao acompanhamento do rebanho. Pesquisas já abordam o uso de drones associado à inteligência artificial para o monitoramento de animais, mostrando como imagens aéreas podem integrar processos de observação e análise.

O quadro abaixo resume, de forma qualitativa, como a visão aérea e o trabalho no chão se dividem na rotina de uma fazenda de pecuária de corte. No caso de cercas e divisas, o tema já foi aprofundado em monitoramento de cercas e divisas com aeronaves não tripuladas.

O que a imagem aérea ajuda a indicar e o que ainda depende da verificação presencial
AplicaçãoO que o drone ajuda a indicarO que a equipe confirma em campo
PastagensTrechos com vegetação de aspecto distinto do restante da áreaCausa da alteração: solo, clima, manejo ou histórico do piquete
RebanhoLocalização e distribuição dos animais em áreas extensasCondição dos animais e necessidade de intervenção
Cercas e divisasPontos com possível dano ou interrupçãoReparo e segurança do perímetro
Água e acessosSituação de bebedouros, aguadas e estradas internasFuncionamento real e prioridade de manutenção

Carlos César Floriano: informação aérea ganha valor quando orienta o trabalho

O ganho operacional não está apenas em enxergar uma área de cima. O desafio está em transformar as imagens em elementos úteis para a gestão. 

Uma fotografia isolada pode registrar uma situação, mas uma sequência de imagens analisada de maneira organizada permite acompanhar alterações e estabelecer prioridades para as equipes de campo.

Esse processo também pode reduzir deslocamentos desnecessários. Em uma propriedade com diferentes áreas de pastagem, por exemplo, a observação aérea pode indicar onde existe necessidade de inspeção mais detalhada. 

“A equipe deixa de percorrer toda a extensão sem uma direção definida e passa a utilizar o recurso tecnológico como apoio à programação das atividades”, explica Carlos César Floriano.

Na prática, esse ciclo pode ser organizado em etapas simples, em que a tecnologia cuida da observação e a equipe cuida da interpretação e da decisão:

Monitoramento com drones: do voo à decisão no campo Fluxo em seis etapas: planejar o voo, captar imagens, comparar séries de imagens, priorizar pontos, verificar em campo e decidir e registrar. As três primeiras etapas são apoiadas pela tecnologia; as três últimas dependem da equipe que conhece a propriedade. Monitoramento com drones: do voo à decisão A imagem aérea orienta; a equipe confirma e decide. TECNOLOGIA NO AR EQUIPE NO CAMPO 1 Planejar o voo Definir as áreas e o objetivo da observação 2 Captar imagens Câmeras e sensores registram a área de cima 3 Comparar séries Sequências de imagens revelam alterações 4 Priorizar pontos Indicar onde a equipe deve concentrar a atenção 5 Verificar em campo Solo, clima, manejo e histórico explicam a causa 6 Decidir e registrar Ajustar o manejo e programar o próximo voo
Infográfico: as seis etapas do monitoramento com drones em grandes propriedades, da captação das imagens à decisão tomada pela equipe no campo.

Drone, satélite e visita presencial: fontes que se complementam

Pesquisadores destacam que o diagnóstico e o monitoramento de pastagens podem combinar visitas presenciais, imagens obtidas por drones ou aeronaves remotamente pilotadas e imagens de satélite. 

A integração dessas fontes amplia as possibilidades de análise, mas não elimina a necessidade da verificação em campo.

Comparação qualitativa entre as fontes usadas no diagnóstico e no monitoramento de pastagens
FontePonto forteLimitação
Visita presencialPermite entender a causa de uma alteraçãoExige deslocamento e tempo em áreas extensas
DroneImagens detalhadas, com voo programado conforme a necessidadeCobertura de cada voo limitada pela autonomia do equipamento
SatéliteVisão ampla de toda a propriedade e da regiãoMenor nível de detalhe e dependência de céu sem nuvens

Quando essas camadas de informação são combinadas, o produtor ganha um retrato mais completo da área. Conteúdos técnicos sobre manejo e recuperação de pastagens podem ser consultados no portal da Embrapa, referência em pesquisa agropecuária no país.

Para Carlos César Floriano, “O drone não substitui quem conhece a propriedade. Ele ajuda a indicar onde esse conhecimento precisa ser aplicado”, destaca.

Tecnologia e experiência na leitura das imagens aéreas

Essa combinação entre tecnologia e experiência também é relevante para evitar interpretações equivocadas. Uma imagem pode apontar uma alteração, mas compreender sua causa exige considerar características do solo, condições climáticas, manejo adotado e histórico da área.

Na prática, os drones passam a funcionar como uma extensão dos olhos da equipe. Em grandes propriedades, essa capacidade de observação pode apoiar o planejamento de inspeções, o acompanhamento de pastagens e a identificação de pontos que demandem atenção, inclusive em sistemas que unem lavoura e pecuária no mesmo território.

O resultado é uma gestão que utiliza a visão aérea não como substituta da atividade no campo, mas como uma ferramenta adicional para organizar melhor o trabalho.

A eficiência aparece quando a tecnologia encurta o caminho entre identificar uma ocorrência e decidir o que precisa ser verificado.

Perguntas frequentes sobre monitoramento com drones

O drone substitui a inspeção presencial das pastagens?

Não. A imagem aérea aponta onde existe uma alteração, mas a causa só é compreendida com a verificação no local, considerando solo, clima, manejo e histórico da área. O drone indica onde o conhecimento da equipe precisa ser aplicado.

Quais informações o monitoramento com drones pode gerar na pecuária?

Com câmeras e sensores adequados, o equipamento ajuda a acompanhar pastagens, localizar animais, observar cercas, aguadas e acessos e registrar a evolução de cada área ao longo do tempo. Veja como dados captados por aeronaves transformam a gestão agrícola.

Como começar a usar drones em uma propriedade extensa?

O ponto de partida é definir o objetivo da observação e as áreas prioritárias, manter voos regulares para formar uma sequência comparável de imagens e integrar os resultados à programação da equipe de campo. Conheça também o que a VMX Agro faz na gestão de áreas produtivas no Vale do Arinos.