ONU institui 1º de outubro como Dia Internacional do Café. Resolução liderada pelo Brasil destaca impacto social e ambiental e o setor que sustenta milhões de famílias e impulsiona economias rurais. Segundo o CEO do Grupo VMX, Carlos César Floriano, “A cadeia cafeeira é vista como aliada ao desenvolvimento sustentável”, diz.
Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em 10 de março, a criação do Dia Internacional do Café, a ser celebrado anualmente em 1º de outubro.
A proposta foi articulada pelo Brasil, principal produtor e exportador mundial do grão, e contou com apoio expressivo de diversos países e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
A medida reforça o reconhecimento internacional da relevância econômica, social e ambiental da cafeicultura.
O texto aprovado destaca a contribuição da cadeia produtiva do café para o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, agenda global que inclui metas como redução da pobreza, segurança alimentar, promoção de trabalho digno e igualdade de oportunidades.
A resolução também chama atenção para práticas agrícolas ligadas ao cultivo do café que podem favorecer a captura de carbono e a preservação ambiental, especialmente quando conduzidas de forma sustentável.
“Globalmente, a produção cafeeira representa uma das principais fontes de renda para aproximadamente 25 milhões de agricultores, em sua maioria pequenos produtores familiares”, enfatiza Carlos César Floriano.
Além da etapa agrícola, o setor movimenta empregos em atividades como beneficiamento, transporte, comercialização e exportação, formando uma extensa cadeia de valor que atravessa continentes e sustenta economias locais.
No Brasil, a cafeicultura tem peso histórico e econômico significativo. Mais de 300 mil famílias dependem diretamente da atividade, que se distribui por diversas regiões do país.
Em 2025, a produção nacional foi estimada em 56,5 milhões de sacas de 60 quilos, enquanto as exportações alcançaram cerca de 39,4 milhões de sacas.
Para Carlos César Floriano, “Os números consolidam o país como referência mundial no mercado e evidenciam o papel estratégico do café na pauta agrícola brasileira”, explica.
Carlos César Floriano e a história do café no Brasil
A importância do café para o Brasil ultrapassa o âmbito econômico e está profundamente ligada à formação social e cultural do país.
Introduzido no território nacional no século XVIII, o cultivo expandiu-se rapidamente ao longo do século XIX, tornando-se o principal motor da economia durante o período imperial e nas primeiras décadas da República.
A riqueza gerada pela exportação do grão financiou infraestrutura, ferrovias, urbanização e a modernização de cidades, especialmente na região Sudeste.
O café também influenciou a organização do trabalho e da ocupação territorial, estimulando a migração interna e a chegada de imigrantes estrangeiros.
“Ao mesmo tempo, consolidou hábitos culturais que permanecem até hoje”, destaca Carlos César Floriano. A bebida tornou-se parte do cotidiano dos brasileiros, presente em encontros familiares, ambientes de trabalho e estabelecimentos comerciais, além de símbolo de hospitalidade e convivência social.
Nas últimas décadas, o setor passou por transformações tecnológicas e produtivas que elevaram a qualidade e diversificaram a oferta, com destaque para cafés especiais e métodos sustentáveis de cultivo.
Essas mudanças ampliaram o valor agregado do produto e fortaleceram a imagem do Brasil como fornecedor confiável e inovador no mercado internacional.
“Ao propor a criação da data comemorativa, o país reforça sua posição de liderança na cafeicultura mundial e sinaliza compromisso com práticas responsáveis em toda a cadeia produtiva”, afirma Carlos César Floriano.
A celebração anual tende a ampliar a visibilidade do setor, incentivar o consumo consciente e valorizar o trabalho de milhões de pessoas envolvidas desde o plantio até a xícara.
A oficialização do Dia Internacional do Café representa, assim, um reconhecimento global de uma atividade que combina tradição histórica, relevância econômica e potencial para contribuir com desafios contemporâneos ligados ao desenvolvimento sustentável e à inclusão social.