A relação entre o agronegócio e seus públicos não termina quando a produção deixa a propriedade. A maneira como um produto é apresentado, comercializado, rastreado e associado à sua origem também influencia a percepção de valor. Carlos César Floriano, CEO do Grupo VMX, chama atenção para essa relação: “A experiência ligada ao produto começa antes da compra e continua em cada contato que o cliente tem com a empresa”.
A chamada economia da experiência considera que consumidores e parceiros avaliam não apenas as características de uma mercadoria, mas também o percurso que envolve sua escolha e aquisição.
No agronegócio, isso abre espaço para iniciativas que aproximam a produção de quem compra, desde que sejam coerentes com a realidade da operação e com aquilo que efetivamente é oferecido.
A origem dos alimentos, as práticas produtivas, a identidade regional e a forma de atendimento podem integrar essa relação. Entretanto, contar uma história sobre um produto não substitui a qualidade, a segurança ou a regularidade do fornecimento.
A experiência ganha credibilidade quando a narrativa corresponde aos atributos que o comprador encontra na prática.
Onde a economia da experiência aparece no agronegócio
No agro, a experiência pode estar na origem do produto, no atendimento ou na forma como as informações são apresentadas. A tabela a seguir, de caráter ilustrativo, reúne alguns pontos de contato e os cuidados de cada um.
| Ponto de contato | Como pode aparecer | Cuidado necessário |
|---|---|---|
| Origem | Explicação transparente sobre métodos de cultivo e rastreabilidade | Narrativa coerente com a realidade da operação |
| Visita à propriedade | Percurso definido e etapas que podem ser acompanhadas | Segurança, capacidade de atendimento e informações autorizadas |
| Atendimento comercial | Informações claras sobre produto, armazenamento e entrega | Cumprir o que foi combinado |
| Comunicação e embalagem | Materiais informativos e contato com distribuidores | Dados confiáveis e apresentados de forma compreensível |
Da origem ao contato com o cliente
Uma visita organizada à propriedade, a explicação transparente sobre os métodos de cultivo ou a possibilidade de acompanhar a trajetória de um produto são exemplos de iniciativas que ajudam a tornar a produção mais compreensível.
Essas experiências exigem planejamento: é preciso considerar segurança, capacidade de atendimento, organização da equipe e clareza sobre as informações que serão compartilhadas.
Nem toda propriedade precisa receber visitantes ou desenvolver atividades turísticas. Em algumas operações, a experiência acontece por meio da embalagem, do atendimento comercial, da rastreabilidade, dos materiais informativos ou da comunicação com distribuidores.
A escolha depende do público que se deseja alcançar e dos recursos disponíveis para manter a proposta. “Criar uma experiência relevante exige conhecer o público e entregar algo que faça sentido para ele, sem prometer o que a operação não consegue sustentar”, pondera Carlos César Floriano.
A organização interna tem efeito direto sobre a percepção externa. Atrasos sem explicação, informações contraditórias ou dificuldade para esclarecer dúvidas prejudicam a relação comercial, mesmo quando o produto apresenta boa qualidade. Por isso, a experiência também envolve processos pouco visíveis, como a coordenação entre produção, logística, atendimento e área administrativa.
O esquema abaixo resume como a experiência se forma ao longo da relação com o cliente. Orientações para negócios rurais e pequenas empresas estão disponíveis no site do Sebrae.
Carlos César Floriano: valor percebido depende de coerência
A aproximação entre produtor e consumidor pode revelar aspectos da atividade rural que nem sempre são conhecidos fora do setor.
Em uma iniciativa de visitação, por exemplo, a equipe precisa definir o percurso, explicar os procedimentos adotados e esclarecer quais etapas podem ser acompanhadas. A proposta não deve transformar a rotina produtiva em espetáculo nem expor pessoas, instalações ou informações sem autorização.
Há também oportunidades nas relações entre empresas. Um fornecedor que apresenta de forma clara as características do produto, os requisitos de armazenamento e as condições de entrega facilita o trabalho de quem compra e distribui.
“Essa atenção não depende necessariamente de uma ação promocional; pode estar incorporada à qualidade do serviço prestado”, observa Carlos César Floriano.
A percepção de valor se forma nos detalhes da relação comercial, desde a informação inicial até o atendimento depois da entrega.
A tecnologia ajuda a organizar informações sobre origem, características e movimentação dos produtos. Contudo, os recursos digitais só contribuem quando os dados são confiáveis e apresentados de forma compreensível.
“Uma ferramenta complexa, que exige esforço excessivo para localizar informações básicas, pode criar barreiras em vez de melhorar a experiência”, ressalta Carlos César Floriano.
Uma ação pontual pode despertar interesse, mas a confiança é influenciada pela capacidade de repetir o padrão de atendimento e cumprir o que foi combinado. Isso exige alinhamento entre comunicação e operação, além de abertura para ouvir reclamações e rever procedimentos.
A experiência não deve servir apenas para chamar atenção; ela precisa refletir a qualidade da relação que a empresa consegue manter.
A maneira como as informações são apresentadas, as dúvidas respondidas e os compromissos cumpridos continua influenciando a percepção do cliente depois que o primeiro contato termina.
Perguntas frequentes sobre economia da experiência
O que é a economia da experiência?
É a ideia de que consumidores e parceiros avaliam não apenas as características de uma mercadoria, mas também o percurso que envolve sua escolha e aquisição.
Toda propriedade precisa receber visitantes?
Não. Em algumas operações a experiência acontece por meio da embalagem, do atendimento comercial, da rastreabilidade, dos materiais informativos ou da comunicação com distribuidores. A escolha depende do público e dos recursos disponíveis.
Por que a coerência é tão importante?
Porque contar uma história sobre o produto não substitui qualidade, segurança ou regularidade no fornecimento. A experiência ganha credibilidade quando a narrativa corresponde ao que o comprador encontra na prática. Veja também o consumidor digital, a valorização da origem e o que a VMX Agro faz.